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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Qual é a minha missão?

Muitos são os que procuram um Templo religioso para resolver seus problemas pessoais e espirituais; acredito que a grande maioria das pessoas que se deslocam até um Terreiro, o faz para ter respostas aos próprios conflitos.
Dessa imensa maioria, mais de 90%, em algum momento irá ouvir de um guia: "voce é médium".
Desses 90%, creio que 40% ou no máximo metade, saem dos terreiros, com o propósito de seguirem essa missão e, acabam entrando pra corrente, como costumamos dizer.
Não sei o que é pior:
- Ignorar o fato de ser médium e, continuar seguindo sua vida com as perguntas, sem respostas ou;
- Entrar em um templo e, não saber qual é o seu papel naquele lugar, muito menos qual é sua missão.
Vamos tentar entender:
Primeiro ponto que, devemos levar em consideração dá conta de: "quais são os nossos problemas?"
- Financeiro?
- Amoroso?
- Falta de emprego?
- Conflitos familiares constantes?
- Vícios?
Segundo ponto que, antes de perguntarmos aos guias, aos pais e mães de santo, aos jogos de cartas, búzios, etc:
- Quando começaram meus problemas e, o que estou fazendo para resolvê-los?
A partir dessas perguntas e das respostas que daremos, entenderemos que, nem sempre a solução está somente no passe espiritual, num ritual de limpeza, no desenvolvimento mediúnico e sim, na falta de atitude de nossa parte, no comportamento errado que estamos tendo naquele momento, nos vícios que temos e não fazemos o esforço necessário para sairmos dele e, nos conflitos que estamos causando em nossas vidas por pura teimosia ou orgulho.
Fazendo essa reflexão, abriremos nossa mente para entender que, o papel do Terreiro, dos guias, e de todo o trabalho realizado, voltado a espiritualidade, não resolverá por si só os problemas existentes e sim, nos dará discernimento, humildade e o caminho da evolução para sairmos de tudo que, nos atrapalha.
Sabendo disso, ao entrar em um templo, o médium entenderá que, não terá seus problemas resolvidos e sim, sua vida transformada.
Somente dessa forma, saberá qual será a sua missão.
E vale deixar claro que, ao longo do tempo, o médium, não estará nunca, em situação privilegiada diante aos demais que, como ele, procura um templo para resolver seus próprios problemas pois, ao médium que não entende sua missão, sempre estará dentro do terreiro querendo resolver seus problemas do dia a dia e não, sua evolução dentro da espiritualidade.
Não seja um médium se não souber qual é a sua missão.
Selmi

domingo, 31 de janeiro de 2016

Não entre num terreiro quando

1 - Não conhecer o significado dessa escolha;
Ser médium vai muito além da manifestação espiritual.

2 - Sua procura for para uma resposta objetiva e não para uma mudança de vida, no sentido espiritual;
O médium não deve pensar em seus problemas quando estiver nos trabalhos. Esses são voltados à assistência.
Se, quer uma consulta, não seja médium, seja assistente pois ao médium cabe aprender a lidar com os próprios problemas e encontrar equilíbrio espiritual para enfrentá-los.

3 - Achar que os guias devem trazer as respostas e soluções;
Os guias estão para orientação, doutrinação e evolução; para se ter as respostas o médium deve buscá-las, para se ter soluções também; o emprego não cai do céu, o médico não atende em domicílio. Se voce não estiver com vontade de ir a luta, não serão os guias que te farão vitorioso.

4 - Não estiver com disposição para dedicar-se a algo que necessitará de tempo;
Ser médium vai muito além dos trabalhos abertos à assistência e se, as necessidades da sua presença no terreiro, em dias diferentes dos trabalhos, se tornar um empecilho, não seja médium.

5 - Não souber esperar;
Seja na vida espiritual ou pessoal o tempo não está sob nosso comando e, dentro do terreiro somente os guias ou os responsáveis religiosos saberão o tempo certo de cada passo que o médium deve dar; se tem pressa, não seja médium;

6 - Não aceitar perder uma festa por conta de um trabalho espiritual;
Para ser médium há certas doutrinas e restrições e preceitos que devem ser cumpridos. Fazer por fazer, acredite, é o mesmo que não fazer. Assim, se for complicado cumprir as determinações do templo, não seja médium.

7 - Os gastos com a vaidade impedir os gastos com compromissos religiosos (velas, roupas de trabalhos, obrigações do Templo);
Toda e qualquer atividade gera gastos e, na Umbanda não é diferente. Se ficar em dúvida entre uma vela e um sapato novo, não seja médium.

8 - Começar a questionar o responsável religioso pelas obrigações a serem realizadas.
Leia o item 5 e, se ainda assim, achar que está pronto para algo que o dirigente espiritual ainda não indicou, não seja médium.

E saia imediatamento de um Templo de Umbanda quando:

1 - Achar que não está aprendendo nada (provavelmente não estará mesmo mas, não por falta de ensinamentos)
2 - Achar que já sabe o suficiente (acredite, não sabe mas, estará estacionado no aprendizado);
3 - Acreditar que faz mais que qualquer outro irmão (tenha certeza que, os que mais fazem, ninguém vê).

Pode parecer meio ríspido o texto mas, tudo que é feito sem amor ou baseado no ego e na vaidade irá prosperar e, se voce tenha se identificado com algum desses itens, está na hora de rever o seu papel dentro da religião.
Seja sincero com voce e seus guias, com a fé e com seu líder religioso e faça o que tem que ser feito, mesmo que isso signifique dar um tempo da religião.
Seus guias ficarão gratos pela sinceridade e deixarão de sentir que sua mente, seu corpo e sua fé não estão voltados a eles da mesma forma que eles estão voltados a voce.
Evoluir requer aprendizado, fé, amor e muita humildade.
Axé!

Médium e o Terreiro

O tempo de aprendizado de qualquer religião leva uma vida, ou algumas vidas mas, entender o papel da religião em nossas vidas não precisa de tanto tempo assim.
Há inúmeras maneiras de ter a religião na vida de uma pessoa e, para cada condição, a religião alimentará a necessidade espiritual:
Os religiosos não praticantes:
São aqueles que tem uma religião distinta mas, não sente a necessidade de serem frequentes nos cultos, missas, cerimônias e rituais porém, esses religiosos se alimentam de sua fé e, nos momentos de aflição sabem a quem recorrer espiritualmente, da mesma forma, que agradecem.
Os religiosos praticantes:
São os frequentadores assíduos e que, sua fonte de força requer estarem presentes nas igrejas, templos, etc.
Alguns desses religiosos se tornam membros voluntários das congregações que frequentam mas, seu compromisso religioso estará ligado diretamente a sua vontade de ajudar fisicamente nas atividades dos locais onde estão como, limpeza, ações em eventos, voluntariado, etc.
Os religiosos estudiosos:
A esse grupo a religião não só serve como fonte de força espiritual mas, também como indicativo para seu comportamento diante as situações cotidianas; pode ter o objetivo de se tornar atuante na religião propagando os ensinamentos e doutrinas; dentre eles temos os missionários, os coroinhas, as noviças, os médiuns em desenvolvimento os estudiosos da Bíblia e de Alan Kardec;
Por fim, temos os líderes religiosos:
Aqui nesse grupo encontraremos pessoas que passaram por todos os outros grupos mencionados ou não. 
Encontraremos aqueles que, simplesmente ouviram um chamado e atenderam os, que foram escolhidos por seus líderes religiosos e os que estudaram para tal.
Assim, pedimos que cada um reflita, principalmente os médiuns de um terreiro (já que sempre o nosso foco é a Umbanda), que tipo de religioso voce é?
E ainda faça a seguinte pergunta a si mesmo:
O que estou fazendo dentro de uma corrente espiritual e onde quero chegar com isso?
A partir do momento que deixamos de ser frequentadores (assistentes) de uma religião e passamos a ser estudiosos dela (médiuns), os compromissos e valores mudam e requer mudanças.
Um assistente tem o compromisso de receber a mensagem para si e, praticá-la sempre com a mensagem voltada a ele mesmo.
O médium já saiu dessa condição e, toda a mensagem recebida deve ser praticada e propagada pois, esse médium se torna uma agente da religião não podendo se dar ao luxo de ter dúvidas; deve sim, encontrar as respostas.
Quem vai dar credibilidade ao médium que, diariamente está reclamando da vida?
Quem vai acreditar numa força maior se, o médium tiver medo de que macumba pega? 
E quem vai acreditar nos guias desse médium se, ele mesmo não souber lidar com seus problemas e não souber procurar a solução?
Com esse texto, queremos que, todos os médiuns já frequentadores de seus templos, conscientizem-se da importância do papel de cada um dentro e fora dos terreiros.
É a sua autoconfiança que mostrará aos demais o poder sublime que nossa religião tem.
Se não há essa certeza dentro de si, se está vestido de branco unica e exclusivamente para resolver seus próprios problemas e, tem medo do compromisso religioso, repense o lugar físico que quer ficar dentro do terreiro pois, os que estão te assistindo, contam com voce e seus guias para ajudá-los e orientá-los.
Axé irmãos!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

ReligiãoXComportamento

Nenhum extremo é bem vindo seja lá qual for a situação, radicalismo nunca vai convencer nem mudar vidas e comportamentos mas, quando nossas atitudes interferem na escolha de uma religião?
Quando um irá negar o outro?
Nenhum religioso é santo ou quer tal vaga, isso não está ao nosso alcance e não é para qualquer um.
Nenhuma religião é a melhor, nem absoluta porque, em nenhum lugar está escrito que Jesus pregou "religião"; Ele pregou o amor, a fé, o perdão, o não preconceito e o não julgamento.
Sendo assim, as religiões devem pregar tudo isso mas, vimos alguns religiosos, em nome de determinada religião, pregarem a intolerância, o julgamento, o preconceito etc...
Então podemos ter dois extremos, tanto naquele que se diz de uma religião como o religioso que a representa.
Deixemos claro que fé é uma coisa completamente diferente de religião... muitos têm fé e não tem religião alguma enquanto outros são beatos de suas religiões e não têm fé nenhuma.
Mas vamos ao motivo de nossa postagem:
Uma coisa todas as religiões têm em comum: a paz!
Mesmo nas distorções de atitudes, todos buscam essa paz.
Mas será que os comportamentos individuais e, as vezes ratificados ou ignorados pelos líderes religiosos dão conta dessa busca?
Se a religião prega a paz, seus líderes devem discursar e se comportar para a efetivação desse conceito.
Sendo assim, esses mesmos líderes devem cobrar de seus adeptos práticas que levem a paz, no ambiente de trabalho, no convívio pessoal e social, no seio familiar e no próprio templo religioso.
Só que, testemunhamos diariamente, pessoas que se dizem praticantes de religiões agirem em favor dos conflitos, conspirarem, causarem discórdias, fofocas, usarem de mentiras e subterfúgios para que pessoas briguem e se distanciem só pelo bel prazer de prejudicar alguém e alimentarem a vaidade pequena e mesquinha de que tem "poder" sobre outra pessoa.
E hoje, as redes sociais estão aí para deixarem provas e rastros desse tipo de pessoas que, postam uma oração e, em seguida uma indireta. 
Reverenciam seus Guias, Orixás, deuses e santos mas, mentem, inventam situações e colocam todos ao seu redor num verdadeiro inferno de intrigas.
Será que existe conexão entre esse comportamento e a religião?
Será que esse tipo de pessoa merece qualquer credibilidade quando manifesta uma fé e em seguida destrói uma amizade?
Como dissemos no começo, ninguém está estudando para ser santo mas, a partir do momento que se representa uma fé ou uma religião, o mínimo a se fazer é ter um comportamento condizente com a doutrina religiosa... e ressaltamos... religião prega a paz.
Não se contradiz pois, os prejudicados através da ignorância em, algum momento encontrarão o caminho para sair da teia de conflitos que se deixou envolver mas, os que tecem essa teia poderá não conseguir se livrar de suas tramas.
Reflitamos nossas atitudes antes de inflarmos nossos peitos propagando uma religião que não praticamos.
Axé!



sábado, 19 de dezembro de 2015

Nossos rituais, antes da reabertura do Templo

Cada Terreiro tem suas doutrinas internas, seus rituais, sua conduta e maneiras de dar seguimentos em seus trabalhos. Salve a Umbanda que tem inúmeras possibilidades de caminhar, de se fazer, pela democracia que nossos ancestrais deixaram como legado.
Boa parte dos Terreiros e Templos de Umbanda, encerram suas atividades, após as homenagens à Iemanjá, que em nossa região ocorre no início do mês de dezembro, o que é o nosso caso.
Alguns, fecham seus templos no períodos das festas de fim de ano mas, em janeiro já retornam suas atividades normalmente.
No caso deste Templo, esticamos um pouco mais esse início, porque, temos em nossas doutrinas, rituais de início de ano, que são voltados à Casa e aos filhos de santo.
O primeiro ritual que realizamos é aos Exús pois, entendemos que eles são os trabalhadores da Umbanda; aquela entidade que está mais próxima de nós e que, nos momentos de aflição, estará ao nosso lado, representando o Orixá e nos dando força para seguirmos em frente.
"Sem Exú não se faz nada." 
Em seguida, fazemos um ritual aos atabaques que, são os elos de ligação entre nós e o astral. São esses instrumentos que nos liga aos nossos Guias e Orixás; assim, recebem um cuidado todo especial para que possam nos agraciar com seus toques por mais um ano.
Outro ritual que, para nós é fundamental é a limpeza fluídica do Templo pois, durante o ano, recebemos pessoas com as mais variadas energias que são filtradas, enquanto tomam seus passes e, entendemos que, ao adentrarem nas dependências do Terreiro, a pessoa, médium ou assistente, tem que sentir uma energia aconchegante e positiva por isso, realizamos o ritual de limpeza, eliminando as energias negativas e enfatizando as energias positivas.
Feito esses rituais passamos a tratar das energias dos médiuns que irão, por mais um ano, dedicarem à pratica da caridade e cederem seus corpos para seus Guias.
Nesse momento alguns médiuns passam do desenvolvimento para a Gira, onde as energias de incorporação mudam bem como, alguns médiuns passam a ser "de consulta", como chamamos aqueles onde, suas entidades fazem atendimento.
Para cada situação, um ritual específico, fortalecendo o vínculo do médium com sua energia e com as entidades que o escolheu para trabalhar a evolução e caridade.
O retorno dos trabalhos, fazemos na cachoeira, recebendo nossos Caboclos, os chefes de nossos Oris, donos de nossa coroa, encerrando o ciclo de rituais fechados e iniciando os trabalhos voltados à Assistência.
A partir desses rituais, estamos prontos para realizarmos os trabalhos em nosso Templo... para mais um ano de muito axé.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Homenagens à Iemanjá, seus encantos e desencantos

Desde o começo do mês de dezembro, inúmeros adeptos das religiões de matrizes africanas, Umbanda e Candomblé e muitos simpatizantes, vão as praias fazerem seus pedidos e agradecimentos à Iemanjá.
Ocorre que, na mesma intensidade da fé que os levam ao mar, carregam na bagagem presentes à Rainha do Mar, que vai de flores até jóias, passando por sabonetes, espelhos, champanhe, barquinhos de madeira e/ou isopor, perfumes, etc...
Infelizmente, todos esses itens, são simplesmente jogados ao mar sem que as pessoas reflitam o quanto isso interferirá no meio ambiente, o quanto os vidros, espelhos, pregos dos barquinhos, os detergentes contidos na composição dos sabonetes, os produtos químicos contidos nos perfumes que são despejados, e somados a grande quantidade de pessoas que fazem isso ao mesmo tempo, no mesmo período pode prejudicar os animais marinhos.
Fora isso, é público e notório o quão lixo fica na beira do mar e na extensão de areia quando o dia amanhece, podendo provocar algum acidente como cortes em razão da quantidade de garrafas quebradas, espelhos quebrados, pregos e outros itens são devolvidos pelas ondas, como devolução de um presente ruim.
Irmãos... somos os representantes das forças da natureza.
Somos os únicos que associam a natureza com energias dos Orixás que a representa.
Como, ainda hoje, com tanta informação, com o mundo sendo devastado pela ignorância humana, nos prestamos a manter uma tradição que em nada agrega os valores reais do bem e preservação da natureza que tanto saudamos e reverenciamos?
Será que não passou da hora de darmos o exemplo de que, como os índios, como nossos ancestrais africanos, tudo que se dá à natureza é tudo que a natureza pode nos devolver?
Será que essa lição ainda não foi devidamente aprendida por nós?
Será que o aquecimento global, a poluição dos rios, a seca dos reservatórios, os espaços dos animais sendo diminuído pela ganância do homem que invadiu e derrubou florestas inteiras não são suficientes para mudarmos de pensamento e principalmente de atitudes?
Que nossa mãe Iemanjá nos perdoe pelo mal que fazemos ao seu lar e aos animais que morrem sufocados pelos plásticos, cortados pelos vidros, deformados por tudo que jogamos em seu habitat.
Que fique a reflexão... que mudemos de atitudes.
Odociaba Iemanjá!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Umbanda e seus mistérios

O segredo é a alma do negócio!
E com essa frase, cai por terra os mistérios da Umbanda pois, Umbanda não é comércio, não é vitrine de caboclos e pretos-velhos vendidos nos oris de seus médiuns;
Umbanda não é de ouro, nem prata, Umbanda é de terra e suas variantes, argila, barro;
Umbanda não é de grife pois, Umbanda não usa salto alto ou vestidos de festa... ela se veste de branco e seu calçado é o chão batido.
Então qual o verdadeiro mistério da Umbanda?
É a humildade, resiliência, é ouvir e não falar, é esperar, é dar de graça o que de graça lhe foi dado.
Umbanda é uma vida inteira tentando desvendar seus mistérios, sem o menor segredo pois, na Umbanda, quem conhece todos os mistérios são as entidades.
Um mesmo alimento pode ter gostos diferentes de acordo com as mãos que o prepara e, assim é a Umbanda, com seus temperos terá um gosto diferente de acordo com aquele que a toca.
Vender Umbanda não existe!
Conhecê-la em sua totalidade é subestimar o invisível, as forças da natureza e a aruanda.
Acreditar ser detentor do poder de aprisionar pessoas e suas entidades é o mesmo que admitir guardar vento.
Tempos atrás a umbanda era condenada pelo desconhecimento e hoje continua sendo por "conhecimento" em demasia.
Alguns ditos representantes de Umbanda que vendem ilusões, rituais e obrigações que não têm nada a ver com a verdadeira religião nos condenam ao preconceito e nos encurralam dentro de nossos terreiros nos fazendo justificar tais desmandos àqueles que procuram ajuda.
O que nos cabe como verdadeiros umbandistas é nos mantermos no caminho guiado por nossos Caboclos e Pretos-velhos, sem nos corromper pelo comércio de títulos.
A exemplo dos reis, rainhas, sacerdotes e guerreiros escravos que, nas senzalas de nada valiam seus títulos e coroas e, mesmo assim foram soberanos e líderes, sábios e valentes, mostrando que não eram a nobreza que os faziam nobres e sim suas atitudes nós, seguiremos firmes em nossos conceitos de Fé, Esperança e Caridade, sem nos preocuparmos com etiquetas pois, de nada valem se as atitudes não forem nobres.
Salve a força de nosso Pai Oxalá e de todos os Orixás da Umbanda!
Salve a sabedoria dos Pretos-velhos, Caboclos, Boiadeiros, Baianos, Marinheiros, Exús e Bombogiras!
Salve a essência de Cosme e Damião !
Salve a Umbanda!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

O médium e sua mediunidade/vaidade

Na condição de médium não importa quanto tempo estamos praticando a religião, sempre temos dúvidas.
No começo as dúvidas dão conta da incorporação em si e do grau de consciência, durante o transe.
Pra essa questão, falamos com toda tranquilidade que muitos médiuns são conscientes ou semi conscientes em todas as etapas da vida mediúnica e isso não tira a credibilidade da incorporação, da entidade e do próprio médium.
Existe sim a inconsciência no transe mediúnico mas em menor quantidade.
Esse assunto se tornou tabu no meio pois, se o médium ou o líder religioso assumisse sua consciência durante a incorporação poderia causar desconfiança diante aos demais, tanto dentro do terreiro como aos consulentes.
Entendam que essa condição não desprestigia em nada o médium desde que ele seja uma pessoa íntegra e discreta.
O que acabará com a confiança de alguém junto a determinada entidade é o comportamento do médium que incorpora.
Então, aos médiuns iniciantes, podemos dizer que fiquem tranquilos em suas manifestações mediúnicas, não há fingimento quando há entrega... e confie em quem estiver cuidando de voces nesse início da jornada. O pai ou mãe de Santo, a entidade chefe que estiver no comando, nessa fase, saberá doutrinar e ensinar.
O que podemos orientar nesse início é que não fiquem pensando nisso durante os toques de chamada das entidades.
Reportem-se ao ambiente daquele guia que está sendo chamado, esvazie sua mente dos fatores externos e se vincule somente ao som dos atabaques, as cantigas e as saudações que estão sendo feitas nesse momento.
O resultado será uma linda imantação mediúnica que, independentemente do grau de incorporação, será percebida por todos os presentes e principalmente pelo líder religioso (pai ou mãe de santo).
Depois dessa fase inicial, vimos muitos médiuns querendo destaque junto aos demais irmãos da casa e, justamente pelo receio de estarem forjando uma incorporação pecam em algumas situações muito recorrentes.
A primeira já é negar ao pai ou mãe de santo a sua consciência. 
Negar isso não o fará diferente dos demais e, não convencerá o líder religioso que sabe quando isso acontece.
São as entrelinhas da religião, imperceptíveis aos olhos mas gritantes pra'queles que conduzem os trabalhos espirituais que estão as respostas e não no médium em si.
Outro erro muito recorrente dá conta do médium forçar um comportamento antes, durante e até depois da vinda do guia, como:
Não incorporar na chamada da entidade, esperando que a irradiação fique mais forte;
 - Isso só demonstra o desrespeito junto aos demais presentes no terreiro ao pai ou mãe de santo, os tabaqueiros que estão saudando a entidade e festejando a sua vinda.
Já ouviram aquela frase "filho de santo não tem querer?".
Se o pai ou mãe de santo saúda uma linha, imediatamente os tabaqueiros irão cantar, vibrar e tocar para que essa entidade venha. Não cabe ao médium ficar "esperando" o melhor momento, ou uma determinada cantiga. Isso é vaidade pessoal!
O guia é evoluído e respeita todas as regras da casa. Quem não faz isso são os médiuns.
Entendam que a força do seu guia deve ser mostrada por ele, e somente ele sabe exatamente como demonstrar isso... não invada algo que não lhe pertence.
Ainda sobre esse erro, voltamos a falar sobre a chegada e despedida do guia.
Médium vaidoso não deixará sua entidade embora assim que a ordem for dada. 
Há quem diga "mas não sou eu, é o guia quem vem e vai embora na hora que quer". 
Não é não, queridos irmãos. Os guias, entidades e espíritos evoluídos sabem exatamente quando chegam e quando vão embora de acordo com as ordens daquele que conduz os rituais, os trabalhos.
Muitos de voces já ouviram também cantigas que diz "vai numa gira só" e, quer dizer que, todos os guias ali presentes, irão juntos embora mas, infelizmente vimos que nem sempre essa ordem é respeitada e, nesse momento sabemos que a consciência mediúnica está se valendo da energia mediúnica (que são coisas distintas e percebidas pelo dirigente do templo).
Por isso que a umbanda fala muito em humildade, no sentido oposto da vaidade... a humildade que enobrece, que destaca a pessoa entre os demais e muitos ainda desconhecem esse significado.
Outro exemplo de que a vaidade está acima da mediunidade é quando um consulente vem elogiar ou agradecer o médium por algo que o guia disse ou fez. 
Nesse caso, somos meros instrumentos e em nada temos crédito por algo que não fizemos. Ao guia cabe o nosso agradecimento pela confiança de usar nossa matéria em prol daquele que está nos agradecendo mas, muitos médiuns esquecem desse detalhe e se portam como seres especiais. Cuidado, essa vaidade afasta o guia. Afinal se nos sentirmos mais especiais do que a própria entidade, não há motivo para que ela venha. 
Esperamos que esse texto possa ajudar um pouco àqueles que estão iniciando sua jornada e que possa também causar reflexão àqueles que já estão há algum tempo nessa estrada mas que, as vezes se sente melhor ou diferente dos demais.
Nossa Umbanda é humildade sempre, da vestimenta ao pé no chão, até a consciência de que jamais seremos especiais, ao contrário, somos meros seres devedores que, necessitamos saldar nossas dívidas no astral e contamos com a grandiosa bondade dos Guias de luz para nos ajudar. Cabe a nós aprendermos ou deixarmos essa oportunidade passar.


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Vestimenta e paramentos. Os guias necessitam?

Pode ser que causaremos polêmica nessa postagem mas, vendo alguns vídeos na internet, percebemos o quanto queremos materializar entidades e Orixás a ponto de, alguns perderem a noção e o limite entre o que é físico e espiritual.
Quando falamos de Orixás, falamos de seres encantados, falamos de espíritos que nunca ocuparam um corpo físico. Suas lendas são formas que nossos ancestrais encontraram, sejam por intuição ou mensagem divina para demonstrar, fisicamente, o papel desses seres em nossa Terra.
Vento não tem forma, ar não tem forma, pingo de chuva não se pega com a mão, o mar não se condensa, fogo não se guarda... assim, nossos queridos ancestrais, traduziram todo esse poder da natureza através dos Orixás na forma de homens para nos mostrar a coragem, o poder e a ira e, de mulheres para demonstrar a força, o amor, a maternidade...
Por se tratarem de seres encantados, sem forma, nem rosto, nem cor, os sábios ancestrais os criaram a nossa semelhança, definindo cores, objetos, características das vestimentas, tudo baseado nos seres vivos. O objetivo disso era nos aproximar e nos familiarizar com forças tão divinas.
Agora eu vos pergunto: 
"Existe diferença na imantação desses Orixás num médium que está vestido de determinada forma?"
"Se o médium incorporar um Orixá e não tiver as "ferramentas" adequadas o Orixá simplesmente vai embora?"
Claro que não! O apego físico é do médium. É ele, ou melhor, somos nós todos, médiuns, assistentes, pais e mães de santo que associamos os paramentos, que os colocamos fisicamente em nossa vidas.
Está errado? 
Depende do quanto isso é exigido.
Vamos a um exemplo mais simples e que encontramos diariamente em nossos templos de umbanda.
Quem não acha lindo um Caboclo usar seu cocar de penas?
Quem não admira as capas usadas pelos Exús e Bombogiras?
Quem nunca viu um baiano ou um boiadeiro usar chapéus, lenços e outros paramentos?
Agora pergunto novamente:
"Se não houver nada disso, nem cocar, nem capa, nem chapéu, o guia deixará de vir?"
Quem nunca se consultou com um guia maravilhoso e o médium estava somente com sua roupinha branca.
Ora queridos irmãos de fé, se a própria fé é algo que não tem forma por que, para acreditarmos nos Guias e Orixás precisamos torná-los físicos?
Claro que é lindo quando vemos um Orixá vestido, usando suas ferramentas e paramentos, claro que identificamos rapidamente um caboclo quando se coloca o cocar no ori do médium mas, se não tiver nada disso em nada modificará a força e o poder dessas energias que, em nada se assemelham com nós.
Mesmo os guias, que já foram seres terrenos, ao aceitarem a condição de se tornarem entidades de luz, desapegam de todo e qualquer vínculo físico.
O alimento dos seres encantados e espíritos é a fé!
O verdadeiro médium não se preocupa em estar chamando a atenção dos demais com lindas roupas, paramentos e adornos pois ele está envolvido de sentimento, de fé e de amor para que seu corpo seja instrumento de comunicação entre as pessoas e entidades.
O espírito, por sua vez, não está preocupado em como o médium estará vestido e se tem ou não um cocar ou um chapéu pra ele usar... ele quer alguém que tenha se guardado para aquele momento, que esteja presente de coração e feliz por ser esse instrumento de comunicação.
Enfim, pensemos mais em nosso compromisso espiritual do que em nossa vaidade.
Axé a todos!
By Selmi 

quinta-feira, 20 de março de 2014

Macumba

Enfim o que é macumba?
O assunto é polêmico e não nos cabe aqui a verdade absoluta.
A doutrina deste Templo dá conta de um entendimento sobre o tema e será esse entendimento explicitado aqui.
Como sempre, cabe ao leitor, acreditar e concordar.
Uma coisa é certa e é enfatizada neste cantinho mágico: "confie em Deus (Oxalá), acredite nos seus Guias e Orixás pois Eles não abandonam seus filhos e não teria lógica deixar qualquer mau acometer a vida daqueles que praticam o bem."
Acima tem um link que dá a definição de macumba mas, sabemos que, culturalmente, esse termo é usado para os rituais realizados, que na maioria das vezes tem com o objetivo de prejudicar alguém. E quem os pratica seria o macumbeiro. Os mais preconceituosos atribui esses termos a todos os que frequentam um terreiro. Sendo que os trabalhos é a macumba e seus frequentadores os macumbeiros.
Então vamos tratar a macumba como se fosse algo ruim, ao mesmo tempo que vamos desmistificar o poder de rituais que prejudicam pessoas. 
Através de perguntas e respostas tentaremos mostrar o que de fato e real acontece quando alguém é vítima de macumba. Ressaltamos que não vamos nos apegar aos trabalhos ou rituais realizados, uma vez que não é o objetivo dessa postagem. O que queremos é mostrar aos leitores que o mal só existe quando permitimos ele em nossas vidas e que não há poder maior que o de Deus!!!
01 - O que é macumba?
- Em vias gerais a macumba, da forma mal interpretada, dá conta de um ritual onde alguém quer prejudicar outra pessoa, nos mais variáveis níveis. Pode ser por um amor não correspondido, por uma promoção no emprego em detrimento da vaga de outra pessoa, para afastar alguém que não quer mais, etc...
O sentimento que move alguém fazer isso, normalmente, é ódio, inveja, ciúmes, inferioridade. Em geral problemas de auto estima.
02 - O que acontece quando se faz a macumba?
- Basicamente a macumba determina que um espírito não evoluído (kiumbas) obsidie a pessoa, fazendo com que esta passe a sofrer mudanças de comportamento, tomando atitudes incoerentes a sua personalidade. A mudança ocorre de forma sutil e só é percebida a médio e longo prazo e ocorre nas mais variadas situações; desde a perda de apetite, passando por agressividade infundada, sonolência, irritabilidade, desânimo, sintomas depressivos, etc..
Ressaltamos aqui que havendo qualquer variação física, mencionada acima, não quer dizer se tratar de problema espiritual portanto, a primeira atitude é procurar um médico.
03 - Quando a macumba "pega"?
- É nessa pergunta que derrubaremos a tese de que a macumba é infalível.
A macumba só pega quando a pessoa dá condições para que esse espírito a influencie.
É mais ou menos como uma bactéria que só se prolifera em nosso organismo quando a imunidade está baixa.
O obsessor designado tentará influenciar seu obsidiado com pensamentos negativos, e com esses pensamentos sendo cada vez mais fortes, as atitudes darão conta das perdas daquela pessoa, de acordo com o pedido de quem fez a macumba.
04 - E como se livrar dessa influência negativa?
- A pessoa que está sob a influência do obsessor, normalmente, não consegue enxergar a mudança tornando mais difícil o entendimento de que precisa mudar de pensamentos e atitudes.
A pessoa que foi "vítima" de macumba deve mudar sua energia, seu astral; deve lutar contra os pensamentos negativos e as atitudes destrutivas que acabam fazendo parte da vida dessa pessoa.
05 - Mas ele consegue fazer isso sozinho?
O primeiro passo tem que ser da pessoa que está sendo obsidiada. Ela tem que fazer uma reflexão em sua vida e perceber que houve uma mudança.
A partir desse momento a ajuda espiritual será bem vinda pois trocará a energia negativa que a acompanha por energia positiva porém, o trabalho só terá sucesso se a pessoa continuar vibrando positivamente se distanciando da má influência do espírito obsessor.
E o exercício da boa energia é diário e para qualquer pessoa. Vibrar positivamente afasta qualquer espírito não evoluído e que necessita de energia baixa para ter forças.
06 - Como vibrar positivamente?
Atitudes simples mas feitas de coração são as melhores maneiras de afastar os espíritos não evoluídos e obsessores de nossas vidas.
Fazer orações;
Agradecer pelo que tem de bom em sua vida;
Quando um pensamento negativo surgir, lembrar de algo que trouxe alegria; 
Dar a um problema a dimensão exata e não valorizar demais algo que pode ser resolvido;
Usar roupas coloridas também ajudam a mudar o astral.
Enfim, atitudes positivas gera energia positiva e os espíritos não evoluídos não gostam desse tipo de energia, fazendo com que acabem se afastando.
07 - A macumba existe?
Como diz a nossa mãe de santo, a pior macumba é a que nasce de nós mesmos. Não tem como acreditarmos em Deus e acreditar que um espírito inferior a Ele tenha mais força em nossas vidas!
Se voce acredita em Deus, acredita em seus Guias e Orixás, acredita na proteção Divina, como pode dar crédito a seres inferiores? E quando falamos de seres inferiores, falamos dos que estão no plano espiritual e no físico, pois só uma pessoa com vibração inferior pode dar atenção a esse tipo de trabalho e pode se sujeitar a fazê-lo. 
Inveja, ciúmes, raiva, vontade de ver alguém sofrendo, causar transtornos são sintomas de pessoas que não estão bem consigo mesmas e criando essa atmosfera inferior se deixa levar por seres que vibram igual.
Não seja um portador dessas energias pois assim voce nunca será vítima de macumba muito menos gerador dela.
Quem pode mais que Deus?
SÓ DEUS!!!



quinta-feira, 6 de março de 2014

Quaresma na Umbanda

Quaresma é um período que antecede a páscoa! Relata o martírio até a crucificação e a ascensão e ressurreição de Jesus.
Foi nesse período que Jesus foi julgado e condenado à morte e, após três dias ressuscitou.
É um período de reflexão, de luto, de penitência e de pedir perdão por nossos pecados; um período de luto que termina com a alegria do Jesus eterno, da vida após a vida.
Há também, nesse período a instrução de que São Miguel sai em busca das almas perdidas, dos espíritos sem luz, que sofrem na terra e obsidiam.
Essas doutrinas católicas, foram inseridas em nossos terreiros de Umbanda e, muitos deixam de realizar seus trabalhos espirituais, acreditando que, os espíritos sofredores, maléficos estão soltos e podem obsidiar seus médiuns ou aqueles que estiverem nos templos.
Como a igreja católica que cobrem suas imagens, em sinal de luto, muitos templos de umbanda também cobrem seus congás (altares) e, fecham suas casas, reabrindo somente no sábado de aleluia ou no domingo de páscoa.
Diz se tratar de um período pesado espiritualmente e um período onde devemos ter cuidado com nossas atitudes, ações e pensamentos pois podemos criar um ambiente propício aos espíritos não evoluídos.
Em nosso Templo, entendemos que o comportamento positivo, a reflexão sobre nossas atitudes e nossas condutas devem ser fiscalizada por nós o ano inteiro, bem como acreditamos que os espíritos não evoluídos estão sempre em busca de pessoas que tenham as mesmas condutas que eles e, se vibram numa energia inferior criam um ambiente de obsessão em qualquer período do ano.
Por esse motivo, não fechamos nosso templo na quaresma e não deixamos de trabalhar com nossos guias pois, se há um período específico para que os espíritos sem luz estão em alvoroço, há de ser nesse período que nossos queridos guias vão trabalhar para não permitir nenhuma influência negativa em nossas vidas ou na vida de quem nos procura.
Porém alertamos todos que, independente da época, a influência inferior de algum espírito ou de algum ser vivo só nos atinge quando vibramos na mesma frequência. 
Se formos seres de luz, se formos pessoas do bem, se agirmos positivamente, nenhuma influência negativa e inferior nos atingirá, sejam de espíritos não evoluídos como de pessoas não evoluídas.
Pratiquem o bem, ajam sem desmerecer ninguém, nunca diga algo que possa prejudicar e não faça nada que possa se prejudicar. Agradeça sempre pelo que tem, pela vida, saúde, família; valorize o que te faz bem e não dê atenção ao que te faz mal.
É assim que praticamos nossa Umbanda, o ano inteiro, inclusive na quaresma!
Axé a todos!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Rituais

Há muitas dúvidas quando falamos nos rituais da Umbanda. Para que possamos falar um pouco desses rituais, é necessário entendermos as origens dessa religião, as semelhanças e diferenças entre as várias vertentes da própria Umbanda.
Sabemos que nas senzalas os escravos tiveram que se adaptarem as imposições de seus senhores, convivendo com tribos inimigas, com crenças divergentes e rituais diversos, praticados individualmente em suas aldeias natais. A vontade de manter as tradições trazidas, fizeram com que os escravos migrassem suas doutrinas, umas as outras, criando os Candomblés praticados hoje.
Muitos podem dizer: "mas o candomblé tem as nações distintas aqui no Brasil." 
Com certeza tem, e isso faz com que cada uma dessas nações pratique seus rituais com suas diferenças, o que não iremos nos aprofundar, uma vez que estamos falando de Umbanda.
Por outro lado, esses mesmos escravos tinham que esconderem seus rituais, camuflarem seus deuses, os orixás e, uma das formas de fazerem isso era usar os santos católicos. Eram misturar suas rezas nativas, nos seus dialetos às rezas católicas ou, pelo menos ditas em língua portuguesa.
Nascia então a Umbanda!
Não podemos esquecer do Zélio de Moraes que oficiou a Umbanda como religião, uma vez que suas manifestações mediúnicas não se enquadravam nos rituais de candomblé e também não condiziam com as doutrinas aplicadas nos centros Kardecistas.
Religião puramente brasileira que tem como característica principal a mistura de vários rituais e religiões, tornando-se rica em seus ensinamentos e democrática em sua prática.
A Umbanda tem a própria mistura de raças como princípio: Os índios com seus conhecimentos e rituais, os cultos africanos mantidos pelos escravos, as doutrinas kardecista e a religião católica.
Com tanta informação, ritual, doutrina e seguimentos religiosos, a Umbanda jamais terá um manual único, um livro com a receita de como praticá-la.
Enquanto as demais religiões seguem um padrão exclusivo, a Umbanda segue o que os guias ensinam e, nesse pensamento vamos reproduzir uma fala da nossa Mãe do Astral "Dona Maria dos Cocos Verdes" que foi de encontro o que uma Yalorixá do Candomblé disse uma vez e que ficou marcado aos dirigentes deste Templo.
"Orixá não é do Candomblé. Orixá é de quem cuida Dele."
Com essa frase, dita por uma mãe de santo, entendemos que o Orixá é livre.
A nossa querida Baiana, um dia, em nosso Templo, contou um pouco de sua história e nela havia a seguinte narrativa:
"Fui escrava, nasci em Angola... praticava meus rituais, juntos aos que comigo vieram... só quando me desliguei do corpo físico me dei conta que só dava importância aos mais velhos enquanto seres vivos. Os eguns não eram reverenciados em nossos rituais... e eu sou um egun. Porém hoje, posso continuar minha missão dentro de um terreiro de Umbanda...religião que me acolheu e será assim que darei continuidade a minha missão."
A Umbanda entende que a raiz de seus rituais está nos mais velhos e, crendo que existe vida após a vida, a sabedoria desses mais velhos perpetua após sua passagem na terra.
Esses mais velhos estão presentes nas manifestações dos Caboclos, Pretos-Velhos, Baianos, Boiadeiros e, eles são parte integrante da conduta praticada em cada templo de Umbanda. 
Com suas semelhanças e peculiaridades, a Umbanda é feita pelo conjunto das doutrinas passadas pelos pais e mães de santo e pelos seus guias.
Esses ensinamentos vão desde um banho de ervas, um benzimento, até o cuidado com os médiuns e os rituais praticados.
Portanto, não há certo ou errado dentro das práticas da Umbanda; o que há de se avaliar são as condutas e a afinidade de cada pessoa.
Tem Umbanda que não aceita nenhum ritual advindo do Candomblé ou dos cultos africanos, porém há a Umbanda onde seus responsáveis vieram do Candomblé e, portanto suas doutrinas são mistas.
Tem Umbanda que toca atabaques, tem Umbanda que não.
Enfim, queridos irmãos... a Umbanda deve ser a religião mais democrática existente e deve ser respeitada pelas semelhanças na mesma proporção que deve ser respeitada pelas diferenças.
O que não podemos aceitar jamais é a própria Umbanda se confrontar entre si, ou qualquer pessoa querer encontrar uma lógica ou uma única regra para essa religião.
Cada um escolhe a Umbanda que mais tem a ver com suas crenças, com seus anseios dentro da religião, sem criticar os demais seguimentos.
O mesmo comportamento deve acontecer entre as outras religiões, sejam elas de culto africano, católica, etc... não devemos criticá-los da mesma maneira que não devemos aceitar que nos critiquem.
A responsabilidade de cada religião será sentida por quem a pratica!!!
Axé a todos!!!

domingo, 12 de janeiro de 2014

Obrigações Religiosas

Muitas são as atividades dentro de um Templo religioso. Isso vale para todas as religiões.
Quando estamos ativos naquele grupo nos comprometemos com suas ações, atividades para que os rituais, cultos, missas e encontros possam ocorrer.
Na umbanda não há um padrão de rituais, uma vez que nossa religião foi se adaptando e se aperfeiçoando no decorrer dos tempos.
Em nosso Templo, antes de iniciarmos os trabalhos abertos, fazemos alguns rituais voltados a firmeza da casa bem como dos filhos.
Um deles é o Ritual dos Atabaques:
Cuidamos dos atabaques porque entendemos que neles está a energia que atrai nossos Guias e Orixás.
Para nós não se trata apenas de um instrumento musical e, portanto não deve ser simplesmente colocado no salão para fazer samba.
Diz-se que na África, quando um rapaz era escolhido para tocar o atabaque ele tinha que fazer o instrumento e isso consistia em ir à mata, escolher e derrubar a árvore certa, moldar e talhar a madeira, fazer a caça do animal para o uso do couro... enfim, existia todo um contexto para que o rapaz tocasse seu atabaque e louvasse seus Orixás.
Os tempos são outros mas o sentido é o mesmo.
Então, para nós, um dos principais rituais no início do ano é a limpeza e energização dos atabaques, tornando-os instrumentos exclusivos de culto aos Guias e Orixás.
O respeito ao toque e ao instrumento é cobrado de todos os filhos e principalmente daqueles que vão tocá-los.
Existe uma frase conhecida que diz que "o pai de santo não derruba um tabaqueiro/ogan alabê, mas um ogan alabê/tabaqueiro derruba um pai de santo." Se levarmos essa frase no entendimento de ação durante os trabalhos, realmente são eles os responsáveis pela chamada, pela dança dos guias e pelo bom andamento dos trabalhos.
Sendo tão importante essa função dentro de um templo, como não exigir desses médiuns um comportamento condizente? Como não tratar os instrumentos de acordo com a magnitude de sua função durante os trabalhos?
Em nosso Templo não aceitamos que o Ogan, Alabê, Tabaqueiro ou qualquer outra pessoa, toque nossos atabaques se não tiver cumprido um tempo de preceito
Não aceitamos que alguém que tenha ingerido bebida alcoólica toque e cante para os guias dos médiuns que se preparam para os trabalhos.
Alguns podem achar que é exagero pois, a ingestão de bebida alcoólica é presente em alguns lugares mas, apesar de não questionarmos nossos irmãos, não aceitamos essa prática em nosso Templo.
Outra exigência de nossa Babá dá conta dos pontos cantados, principalmente na linha de Exú.
Não é permitido nenhuma cantiga que denigra a imagem de Exú e Bombogira, principalmente quando há associação ao mau, a promiscuidade.
Já explicamos nosso entendimento sobre essas entidades e seria incoerente aceitarmos que seus cantos contradissessem o que propagamos.
Diante a tanta responsabilidade e ao poder desse instrumento dentro do nosso Templo, acreditamos que o Ritual dos Atabaques é primordial para que possamos cantar e louvar nossas entidades e, com isso transmitir boa energia aos médiuns e aos assistentes.
Esse é um dos rituais no início do ano, realizado por algumas pessoas do Templo, devidamente escolhidos pela nossa Mãe de Santo e, nesses 15 anos de casa aberta se tornou um dos mais importantes rituais, uma vez que, no decorrer do ano presenciamos o quanto essa energização faz com que os toques e seus tocadores se tornem especiais na evolução dos trabalhos.
Axé a todos!!!

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Desenvolvimento mediúnico

O que é o desenvolvimento?
Desenvolvimento é a transição do médium entre a sensação do guia e a incorporação propriamente dita.
Uma pessoa que nunca incorporou uma entidade precisa de um tempo para entender como isso acontece e distinguir as sensações de incorporação.
É um tempo dedicado somente ao médium e seus guias.
É nesse período que o médium vai entendendo as vibrações e deixando que elas tomem seu corpo e mente para a incorporação.
Nessa fase é onde os responsáveis, pai e mãe de santo, doutrinam esses guias que estão usando um corpo novo para a realização de suas passagens.
Para os iniciantes é um fase mágica e cheia de dúvidas, momento onde a atenção é toda voltada ao médium e suas manifestações mediúnicas.
Alguns dizem se sentirem inseguros, com medo de fazer algo errado durante a incorporação. Outros, e nesse caso a grande maioria, ficam extremamente confusos com o fato de estarem conscientes de suas manifestações mediúnicas e acreditam que podem estar fingindo. Muitas vezes o médium acaba inibindo as sensações, as manifestações de suas entidades por conta dessa consciência. 
Esse é o momento que o pai ou mãe de santo devem ser sensíveis e passarem confiança ao iniciante.
A mãe de santo deste Templo explica que a consciência é mais uma forma de aprendizado, senão a mais importante, porque é onde o médium consegue entender que há uma força maior atuando em seu corpo e mente, bem como consegue aprender com as mensagens que suas entidades estão enviando naquele momento.
A grande maioria nega a existência da consciência durante  a incorporação, acreditando que, ao admitir essa condição, deixará de passar credibilidade aos que estão sendo consultados por seus guias.
A confiança e credibilidade faz parte de outro aprendizado do médium nessa condição. Primeiro porque ele tem que ser o primeiro a confiar no que está sentindo e a discrição é condição permanente a todos os médiuns, independente do cargo que ocupa dentro do Templo. 
Sendo iniciante, iniciado ou sacerdote, a partir do momento que a pessoa aceita as doutrinas do Terreiro, alguns comportamentos devem ser adotados como, discrição, ética e respeito àquele que está confiando seus problemas mais íntimos, seja ao próprio médium, seja à entidade desse médium. A consciência nesses casos passa a ser aprendizado não só da incorporação em si, mas de conduta.
O tempo necessário para o desenvolvimento, depende de cada pessoa. Há médiuns que em pouco tempo se familiarizam com suas entidades e essa troca de energia facilita a incorporação, tornando o iniciante, um médium iniciado.
Já outros podem ficar anos sentindo somente uma leve irradiação o que não descredibiliza sua evolução mediúnica.
As vezes, por vergonha de estar demorando demais em incorporar, o médium pode cometer alguns erros como: se afastar da religião por achar que não é médium, se comparar ao irmão e se colocar numa condição inferior dentro do Templo ou o pior dos erros, mistificar a incorporação, acreditando que, dessa forma, se tornará um bom médium.
Jamais façam qualquer coisa que fuja a natureza do que estão sentindo. 
Não se compare a nenhum irmão de santo, não retraia nenhuma sensação durante os trabalhos de desenvolvimento e muito menos forcem uma situação de imantação ou incorporação pois, nada disso, fará com que se sintam realizados dentro da Religião.
Quando se sentirem inseguros, principalmente no início da incorporação (no  desenvolvimento) conversem com os pais e mães de santo do seu Templo. Eles saberão dizer exatamente o que está acontecendo.
E não esqueçam que a entrega durante os trabalhos de desenvolvimento refletirá nos transes mediúnicos.
Seguem algumas dicas simples mas que fazem diferença durante essa fase:
1 - Esvazie sua mente dos problemas diários, já no caminho de seu Templo;
2 - Evite desentendimentos nos dias de trabalho, criando uma atmosfera de paz ao seu redor;
3 - Ao tomar o banho de ervas (caso tenha em seu Templo), pense somente na força dos Guias e Orixás; imagine-se na mata, na praia, na cachoeira, criando uma sintonia com os elementos que norteiam as energias de nossas entidades;
4 - Após a preparação para o início dos trabalhos procure ficar concentrado na atmosfera do Templo, evitando falar sobre assuntos do cotidiano;
5 - Ouça a letra dos pontos que os Ogãs/Alabes estão entoando;
6 - Deixe o toque dos atabaques percorrerem seus ouvidos e tomarem conta do seu consciente não prestando atenção em nenhum outro barulho que não sejam esses toques.
Enfim... esvazie a mente e abra seu coração... 
Aos novos médiuns, aos iniciantes e aos que querem iniciar nas religiões espíritas e matrizes africanas, sejam mais que Bem Vindos e recebam de bom grado tudo que o astral tem a oferecer!!!
Axé

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Por que Baianos, Pretos-Velhos, Boiadeiros e Marinheiros na Umbanda?

Quem nunca se perguntou isso, em algum momento de sua jornada dentro dos Templos de Umbanda? As vezes até passa despercebido o nome dessas linhas de atendimento.
Mas, nossa mãe do Astral, dona Maria dos Cocos Verde, acabou nos instigando a saber o porquê dessas linhas, após a visita de pessoas de uma ONG que através de um trabalho social chegou até nós (isso é assunto para outra postagem, em breve).
A Umbanda, é uma religião brasileira, com data oficial de fundação em 15 de novembro de 1908, através do Caboclo das Sete Encruzilhadas e seu médium Zélio de Moraes. Isso aconteceu no Rio de Janeiro. 
Porém, é de conhecimento que, os escravos trazidos da África, nos navios negreiros, trouxeram o culto aos Orixás e, para não se afastarem de suas crenças pois, eram "convertidos" ao cristianismo, sendo batizados, inclusive com a adoção de outros nomes, se viram obrigados a inserirem em seus rituais de louvor aos Orixás, os santos católicos; daí surgiu o termo "santo do pau oco", pois os escravos usavam as imagens ocas para colocarem os elementos relacionados aos Orixás.
Assim, juntando as duas formas de rituais, teríamos a Umbanda que praticamos hoje, onde, aceita os espíritos que o Kardecismo não trata (caboclos, pretos-velhos, etc), bem como cultua os Orixás oriundos da África e representados nos rituais de Candomblé.
Como o Caboclo das Sete Encruzilhadas disse, em sua primeira passagem conhecida, a sua apresentação como um índio era uma forma de representar a humildade e a sabedoria dos índios e negros, uma vez que eram tidos como seres inferiores.
Desta maneira nascia dentro da Umbanda a linha de Caboclos e Pretos-Velhos (os nossos mentores que junto aos erês formam as três forças da Umbanda).
O Candomblé tem como primícia o culto somente aos Orixás e, como diz a Baiana, quando ela desencarnou e quis dar continuidade a sua missão e ensinamentos, se viu impedida de adentrar ao culto que ajudou a trazer da África mas que não tinha espaço pra ela. Foi quando ela mesma, conheceu a Umbanda como um canal de comunicação e, sendo uma religião brasileira e tendo ela conhecido a Bahia e cultuado seus Orixás naquele estado, usou essa imagem e nomenclatura para se apresentar nos Templos de Umbanda. Nascia assim, a linha de baianos. Podemos associar aqui também os Pretos-velhos que eram os sacerdotes e nobres em suas aldeias africanas.
Aos Boiadeiros podemos atribuir os mesmos escravos ou trabalhadores, capatazes e os mestiços que começaram a desbravar nosso país através de suas viagens intermináveis abrindo estradas e ajudando os brancos a conquistarem mais territórios brasileiro. Podemos também associar àqueles que tinham a confiança de seus donos e passavam a cuidar dos interesses das grandes fazendas, e adquiriam um pouco mais de liberdade. (como diz a cantiga "sou laçador de gado, boiadeiro é meu patrão).
Aos Boiadeiros também podemos associar alguns negros fujões, que arriscavam suas vidas levando gados e alimentos de um lugar ao outro e ousavam, durante o percurso fugir, se embrenhando nas matas fechadas. 
Já nossos queridos Marinheiros, quem tem a imagem associada a bebedeira, também tem como origem as viagens de navios, motivo do jeito de se manifestarem tendo como característica o balanço do mar e não sua condição de embriaguez. Podemos dizer se tratar dos mesmos ancestrais que remaram até a morte para trazerem os grandes navios, da África, atravessando o oceano e atracando aqui no Brasil.
Muitos morreram no percurso e foram jogados ao mar, os que sobreviviam chegavam aos portos em estado lastimável e poucos conseguiam viver muito mais. Trata-se também dos mesmos nobres e sabedores do culto ao Orixá que tiveram como última visão e morada o mar e, quando se viram na oportunidade de continuarem sua missão, a Umbanda os acolheu, nascendo assim a linha dos Marinheiros.
Assim, firma-se na Umbanda as linha que amamos, cultuamos e aprendemos pois eles são nossos verdadeiros ancestrais e deles tiramos toda a sabedoria e humildade.
Mas dentre essas entidades podemos encontrar espíritos que, em vida, não foram necessariamente escravos, mas que, dentro de suas características e desejo de evolução, se identificaram com alguma dessas linhas e podem sim virem como Baiano, Boiadeiro, Caboclo, Marinheiro ou Preto-Velho. Veja o próprio exemplo do Caboclo das Sete Encruzilhadas que, aos olhos de uma vidente era um jesuíta.
Bom, todas essas informações foram nos passada pela nossa Mentora Espiritual, Mãe do Astral, dona Maria dos Cocos Verdes e, juntamente com as demais linhas que, nos enriquecem de ensinamentos pois, como ela mesma disse: "Somos um Templo escola e, quem quiser aprender será sempre bem vindo!"
Esperamos ter trazido uma boa leitura.
Vale lembrar que, tudo aqui publicado trata-se do conceito do Templo de Umbanda Fé, Esperança e Caridade "Pai Xangô e Iemanjá", sabendo que a Umbanda em sua infinita riqueza tem várias vertentes de ensinamentos. 
Respeitamos toda a forma benéfica de culto aos Orixás e Entidades da Umbanda, desde que respeitemos uns aos outros e que os trabalhos sejam sempre em prol da "Fé, Esperança e Caridade".
Axé a todos!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Umbanda e Meio Ambiente

Nossa Religião tem como essência os elementos da natureza, sabendo que cada Orixá que cultuamos tem ligação direta com ela!
Sendo assim, será que realmente nos preocupamos com a natureza e com o meio ambiente?
Se voce cultua Orixá e joga lixo nas ruas, ou deixa materiais que não são biodegradáveis na natureza não estaria cometendo um erro?
De todas as religiões, as de matrizes africana são as que mais disseminam o contato com a natureza, são as que cultuam e procuram a natureza para realizarem seus trabalhos, oferendas, etc.. mas, como prestigiar a natureza se lá são depositados verdadeiros lixos que, além de não serem absorvidos pelo meio ambiente ainda prejudicam os animais que ali vivem e que necessitam daquele espaço para dar continuidade à suas espécies?
Vamos a um exemplo clássico de manifestação religiosa junto a natureza e onde mais se vê agressão ao meio ambiente: Praias!!!
Cultuamos Iemanjá, Rainha do Mar, onde tem como seu reinado a imensidão do oceano. Anualmente milhares de nós se deslocam até a praia para reverenciá-la, homenageá-la, fazer pedidos e agradecimentos e, como demonstramos tamanha devoção?
Deixando no mar espelhos (que se quebram e podem machucar qualquer animal marinho), sabonetes (que são comidos por esses animais e fazem mal), pentes (que são de plástico e portando não são absorvidos), barquinhos de madeira (que contém pregos que podem machucar os animais e não são degradáveis), dentre tantas outras coisas que, em nada favorecerá a riqueza do mar e muito menos será útil para a vida da natureza.
Qual a lógica disso?
Como podemos nos dizer representantes de religiões que tanto prezam os elementos da natureza e atacamos de forma tão enfática e irreversível esses mesmos elementos?
E temos tantos exemplos negativos para dizer o quanto pecamos quando o assunto é meio ambiente e religião. Qual o sentido de vermos nas ruas garrafas de bebidas, que podem se quebrar e machucar alguém, alguidares com bichos apodrecendo, causando transtornos aos moradores daquele local, com mau cheiro, além de acumularem água podendo trazer doenças?
Enfim queridos irmãos, atitudes falam muito mais do que palavras então, mudemos nossas atitudes negativas, pensemos que, ao jogar um papel qualquer na rua estamos poluindo o meio ambiente e consequentemente afrontando nossos Orixás que tanto amamos e que cultuamos.
Sejamos os primeiros a defender a natureza e o meio ambiente!!!
Sejamos os verdadeiros defensores de nossos Orixás!!!

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Bebida alcoólica é útil nos trabalhos?

O assunto é polêmico, causa discordância dentro da religião e aumenta o preconceito fora dela.
Mais uma vez não vamos dizer o que é certo ou errado mas vamos dizer o que este Templo entende do uso da bebida alcoólica durante o transe mediúnico e pode ser comprovado pelos frequentadores desse cantinho mágico.
Se perguntar a Mãe Ditinha: "A bebida alcoólica é util nos trabalhos?" a resposta é imediata e direta: "Não!"
Agora vamos a doutrina aplicada nesta casa tanto aos médiuns como as entidades.
Muitos afirmam que o guia, ao desincorporar de seu médium "leva" consigo os efeitos que a bebida causa.
A mãe deste templo afirma que um guia de luz, não teria porque levar com ele efeitos físicos causados pela bebida alcoólica. O que ele leva são as energias negativas captadas durante os atendimentos realizados.
A bebida alcoólica não está relacionada a função do guia. O que ele faz com a cachaça ele fará com um copo d'água.
Mas há quem dirá que já viu e vê guias deste templo bebendo sim e, a resposta é:
Se a função do álcool é de limpeza do médium enquanto está incorporado com determinada entidade, a quantidade da bebida é correspondente a função atribuída, portanto, aqueles guias que ainda pedem, vez ou outra uma bebida específica é autorizado somente uma dose.
O mais importante é dizer que, em quinze anos de templo aberto nunca nenhum guia questionou essa doutrina, ao contrário, os guias em evolução entendem que a melhor forma de provarem sua existência é mostrando sua força no astral e não na quantidade de álcool que o guia bebe durante sua permanência no templo.
Porém já tivemos sim, pessoas que questionaram essa doutrina afirmando que seus guias não trabalhariam sem sua cachaça ou sua champagne. Para essas pessoas a mãe sempre disse que eles continuariam trabalhando com suas bebidas mas que estas não seria oferecidas durante a incorporação e sim nos lugares próprios, construídos também para essa finalidade.
É assim que conduzimos nossa umbanda, querendo sempre a evolução em todos os níveis!
Axé a todos!


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Atendimento religioso

Ao falarmos de atendimento religioso, podemos afirmar que a Umbanda é a religião que atende seus seguidores e simpatizantes com mais proximidade, uma vez que a atenção é direcionada e individualizada, através das consultas e atendimentos.
As demais religiões tem o propósito de falar para todos e passar a mensagem de forma mais expansiva já na umbanda isso fica restrito ao consulente e a entidade de atendimento ou ao pai e mãe de santo.
Então afirmamos que o mesmo problema é tratado de forma diferente de acordo com a pessoa, sua personalidade, situação e características individuais.
Em dias de trabalhos, a dinâmica do templo consiste na incorporação dos médiuns e, através das entidades presentes o atendimento exclusivo.
Só por isso, a umbanda já tem uma responsabilidade muito grande, pois o poder de influência perante ao consulente passa ser maior, uma vez que ele é a pessoa mais importante no momento da consulta.
As vezes nos deparamos com pessoas carentes de afeto nos mais variáveis níveis, conhecemos pessoas com problemas de saúde, depressivos e vulneráveis, sedentos de uma palavra amiga, de um abraço carinhoso e, se não tivermos cuidado podemos até confundir essa pessoa, ou mesmo influenciá-la negativamente, dependendo do que será dito ou revelado.
Por isso, a autorização de consulta é restrita aos médiuns mais experientes e que aplicam os ensinamentos da casa. Aos iniciantes ou aqueles que já incorporam mas ainda estão em processo de auto conhecimento mediúnico, privamos o atendimento. 
Os problemas mais recorrentes dão conta de saúde, emprego e amor.
A mesma doutrina passadas aos médiuns são transmitidas aos guias de consulta, uma vez que temos o cuidado de não causarmos mais preocupação ao consulente; o objetivo é sempre mostrar o melhor caminho, é incentivar a tomada de atitudes positivas é apoiar o pensamento bom e recriminar os sentimentos de raiva, inveja ou qualquer outro que seja negativo.
O passe ou benzimento é a troca de energia: é quando o médium ou o guia elimina a energia negativa que acompanha o consulente deixando uma energia positiva fazendo com que ele se sinta mais leve e calmo após o procedimento.
Por isso falamos sempre que a Umbanda é Fé, Esperança e Caridade pois ela está pensando sempre no assistente, naquele que busca uma força espiritual e que acredita sempre na mudança para melhor!!!
Com essa postagem gostaríamos de homenagear os assistentes deste Templo que nos depositam confiança e carinho pois como diz nossa mãe de santo: "Eles são os verdadeiros umbandistas porque eles estão pela fé"!
Obrigado a todos que frequentam essa casa!!!!


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Regrinhas básicas para ser um bom religioso

De todos os seguimentos religiosos, acreditamos que a umbanda é a mais tranquila, se assim podemos dizer, quanto suas regras mas, isso não quer dizer que não há cobranças e que está tudo liberado ao médium.
Algumas regras são comum a vários templos, e outras são distintas, de acordo com o Pai ou Mãe de Santo.
Regras mais comuns:
- Vestir roupa branca em dias de trabalhos;
Nessa regra a orientação da Mãe de Santo deste Templo é que o médium reserve uma roupa branca só para essa finalidade.
Outra orientação é que essa roupa não precisa ser luxuosa ou de um determinado modelo, mas precisa ser bem cuidada e guardada com todo carinho.
- Nos dias que antecedem os trabalhos fazer resguardo de bebidas alcoólicas;
Nessa regra ela defende que o corpo estando livre do efeito do álcool a vibração dos guias será mais efetiva e o médium estará mais voltado ao recebimento dessa energia;
- Resguardo do corpo;
Nesse caso ela orienta que se evite excessos nas comidas, preferindo uma alimentação leve, além do resguardo carnal.
- Chegar pelo menos uma hora antes do início dos trabalhos;
Com essa regra a mãe de santo pretende duas coisas: que o médium tenha tempo para entrar na sintonia do templo e que não atrase o horário determinado de início dos trabalhos, respeitando os assistentes que aguardam para se consultarem com os guias.
- Tomar seu banho de ervas;
A mãe de santo explica que, tomamos o banho de higiene para a limpeza do corpo físico e o banho de ervas para a limpeza do corpo mediúnico, criando uma atmosfera entre corpo e espírito de paz e entrega as energias do templo.
- Vestir a roupa branca somente dentro do templo, após o banho de ervas;
"Sair da rotina externa" para entrar em sintonia com seus guias. Se o médium já vir de sua casa vestido de branco, não tomar seu banho de ervas ele demorará mais tempo para eliminar as energias da rua e entrar em sintonia com a energia do Templo.

Essas são as regras básicas que o médiuns devem seguir para que todos estejam vibrando em sintonia no inícios dos trabalhos.
Outras regras são exigidas no decorrer dos trabalhos, como:
- Cantar os pontos
- Se concentrar 
- Estar atento aos assistentes
- Respeitar seus irmãos de santo
- Ajudar nas atividades durante os trabalhos
- Orientar os recém chegados e os médiuns que estão iniciando
Com essas exigências básicas também perceberemos que a corrente estará totalmente voltada aos trabalhos e a atenção e concentração do grupo causará uma energia muito mais forte contagiando todos os presentes.
Neste templo também exigimos alegria pois, com essa energia, aqueles que estão angustiados, chateados acabam sendo contagiados com o alto astral dos participantes saindo dos trabalhos mais leves e esperançosos diante aos problemas do cotidiano.
Outra regra exigida sem exceção: RESPEITO.
Não exigimos que os filhos se amem incondicionalmente pois sabemos se tratar de grupos diversos, com opiniões distintas, e aí voltamos a história da postagem se a religião é culpada ou inocente. Temos que entender que o grupo religioso é formado por indivíduos mas, exigimos que cada irmão se respeite no sentido mais íntimo da palavra, mais bruto, sem maiores avaliações. 
Se o médium não for capaz de respeitar seu semelhante não tem porque ele cumprir mais nenhuma regra porque o respeito é o começo de tudo.
Então, queridos irmãos, uma regra de vida:
RESPEITE O SEU SEMELHANTE!
RESPEITE SEU IRMÃO DE SANTO!
RESPEITE OS MAIS VELHOS DENTRO E FORA DA RELIGIÃO!
RESPEITE OS MAIS NOVOS QUE TE USAM COMO EXEMPLO!
Acreditamos que essa regra vai muito além dos templos religiosos e quem não sabe respeitar o ser humano perde os limites do bom senso, do certo e errado.
Nossos respeitos a todos e o desejo de muito Axé sempre! 



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Papel do Médium

Abaixo segue uma publicação da nossa Mãe de Santo, em sua página do facebook. Vale a reflexão para todos os seguidores da religião e os ensinamentos dados por seus líderes religiosos. 


"Bom Dia família Virtual , vou falar um pouquinho , do nosso cantinho Magico eu , o chamo a sim , por ser um espaço pequeno , e cabe , muitas pessoas que , tem o mesmo objetivo religioso , e a mesma maneira de praticar e respeitar a normas e conduta religiosa desenvolvida e praticada nessa casa de Xangô Iemanjá.. posso lhes dizer , que e um pouco dificil , pois como disse a pessoa tem que está disposta a seguir os ensinamentos que recebemos de nossos mentores espirituais. , Aqui a casa , prega e pratica esses ensinamentos e muitas das vezes tem filhos que não se enquadra no mesmo , pois a casa prega a tenho que ter uma conduta pessoal e moral que condiz com os ensinamentos da casa . e quais são essas condutas? a primeira e principal e ser uma pessoa , que não só prega a religião mas sim que vive ela como exemplo pessoal . Vou explicar melhor ; Uma pessoa me ve lá toda paramentada de branco guias no pescoço , recebendo , meu guias divino dando , bons conselhos , para os consulentes , tudo perfeito , mas a minha vida pessoal , não condiz com esse ensinamento , vivo , muitas das vezes vivendo , uma vida de bebedeira , ou usando drogas não licitas enfim vivo uma vida , praticando maus exemplos , , aqui na casa de Xango e Iemanja , fica muito dificil essa pessoa ficar na casa , nos orientamos ,damos ensinamentos mas se os filhos não consegue se enquadra , não precisamos , nem mandar embora ele acaba saindo , pois para passar na peneira de Xango não e fácil. Eu citei bebidas e algumas drogas , mas não e só isso muitas das vezes eéate mais facil , o dificil mesmo e a conduta moral , pois essa , e quase, impulsivo, a pessoa se corrigir ,isso vem da índole de cada pessoa que tem o dom de ser mau caráter mesmo . Fazemos o que podemos , mas tem pessoas que não conseguimos essas pessoas acaba saindo da casa , e a casa não se sente culpada por isso , pois claro , fizemos a nossa parte , mas a pessoa não se enquadra com os ensinamentos . E ai algumas pessoas que não frequenta , a casa e não conhece os ensinamentos da mesma , pode achar a sim, nossa a onde voce frequentou nada te ensinou, , fazer o que aqui só vai ficar com certeza pessoas que ser de exemplo , não praticamos a perfeição mas sim uma conduta de bom caráter , respeito e fé."
Mãe Ditinha

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